
Ao longo da vida encontramos vários amores e amamos muitas coisas, mas sempre existe aquele amor que é único e o especial, que você sabe que vai ser pra sempre, o que você sabe que nada do que façam vai conseguir destruir, aquele amor sincero. Uma vez me disseram que o passo mais próximo do amor é o ódio, ou se ama demais, ou se odeia demais, ou ama e acaba odiando ou odeia e acaba amando (meu caso). Pra mim, ter que viver ali era o fim, era como se eu fosse a exclusão da sociedade, claro, lá não tinha shopping, nem praia .. afinal e lá não tinha um lugar decente. E novamente fazendo verdade ao velho ditado ' só dá valor quando perde'. Para mim aquela cidadezinha do interior era um lixo, e eu reclamava todo dia por ter que morar lá, não suportava mais aquela 'simplicidade'. Como eu era tola, e hoje eu vejo que não existe shopping, praia, cinema .. não existe NADA, que se compare aquela cidade calma, o calor durante a tarde e a brisa na varanda a noite, a velha e boa pracinha, a pizzaria que é o point lá :] pequenas reuniões de amigos para jogar papo fora, dormir na rede, andar sem se preocupar com o tempo, hora, e se alguém vai te roubar, se alguém ta te olhando, se você tá desarrumado ou muito arrumado, correr na rua quando encontrar um velho amigo sem se preocupar com o que vão pensar .. Não existe nada que se compare. E pode ter certeza que o meu Salgueiro é o meu amor, aquele único e verdadeiro, aquele sincero, aquele que é pra SEMPRE, e de tanto que eu reclamei, briguei e chorei, hoje eu choro, brigo e reclamo para voltar e NUNCA mais ter que sair de lá. Podem não entender, podem me colocar quantos apelidos quiserem, podem dizer que eu sou do mato, podem reclamar do meu sotaque, podem fazer o escambau porque nada vai mudar o que sinto, e só vai fazer aumentar o meu amor, porque eu sou uma Matuta, com muito orgulho de ser sertaneja. Orgulho de ter nascido em um interior desconhecido pela maioria, e rejeitado por alguns, mas eu não ligo, porque para mim é TUDO e eu nunca vou abrir mão. *-* Porque o mato que eu vim, é pra onde voltarei.
De onde é que vem esses olhos tão tristes?
Vem da campina onde o sol se deita.
Do regalo de terra que teu dorso ajeita.
E dorme serena, no sereno e sonha.
De onde é que salta essa voz tão risonha?
Da chuva que teima, mas o céu rejeita.
Do mato, do medo, da perda tristonha.
Mas, que o sol resgata, tarde e deleita.
Há uma estrada de pedra que passa na fazenda.
É teu destino, é tua senda onde nasce com as canções.
As tempestades do tempo que marcam tua história,
Fogo que queima na memória e acende os corações.
Sim, dos teus pés na terra nascem flores.
A tua voz macia aplaca as dores
E espalha cores vivas pelo ar.
Sim, dos teus olhos saem cachoeiras.
Sete lagoas, mel e brincadeiras.
Espumas, ondas, águas do teu mar..
(Jeito do Mato - Almir Sater)

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